Conforme Pedro vai crescendo, educar vai ficando cada vez mais complicado. Todo dia uma questão a ser esquadrinhada, raciocinada e decidida em questão de segundos.
Eu tento ser uma boa mãe. Tento ser a melhor mãe de todas. Tenho certeza de que sou afetuosa, dedicada, paciente e tolerante, mas volta e meia me sinto culpada por talvez não agir da maneira correta em situações extremas que se desenrolam no dia a dia. Ou, mesmo agindo certo e sendo dura quando tenho que ser, acho que poderia ser mais branda. Uma vez ouvi de uma amiga que mãe sempre acha que poderia ter feito melhor, mesmo já tendo feito da melhor maneira possível. Agora entendo isso com perfeição.
Pedro descobriu que pode barganhar e, quando não consegue o que quer, tende a ser agressivo. Nada mais do que natural crescer e começar a ter suas próprias vontades. E não queremos que Pedro seja um menino submisso. É bom que tenha vontades e argumentos para não querer fazer determinada coisa naquele exato momento. O que falta a Pedro é aprender a negociar. E não tem sido fácil mostrar a ele que tudo é mais fácil dialogando.
Hoje de manhã enrolou o quanto pode para tomar banho e, quando consegui ao custo de muita dialética colocá-lo no banheiro, eis que ele sai correndo e se esconde de mim. Eu levo ainda na esportiva e o pego no colo, para levá-lo para o chuveiro, fazendo um pouco de cosquinha, simulando alguma brincadeira e ele revida imediatamente com alguns socos nas minhas costas, alguns berros e meia dúzia de reclamações, tudo resultando imediatamente na suspensão da surpresinha que poderia ganhar à noite.
Sabendo que o bicho tinha pegado para o seu lado, implorou meu perdão pedindo "a última chance" porque "não vou fazer isso nunca mais". Diante da súplica, cedi e trouxe um livrinho de presente para ele ao chegar do trabalho, porém explicando que era a última chance, que ele tinha agido muito errado de manhã, mas que eu acreditava na sua palavra.
Ele ouviu a estória feliz da vida, história de Lili, Pedro e o peixe caçador de tesouros e depois jogou o livro no chão, com ar emburrado. Expliquei que ia estragar o livrinho, que não deveria fazer aquilo. Ele jogou novamente. E jogou uma terceira vez, sem nenhum motivo aparente. Ou melhor, sem um motivo que eu pudesse detectar de imediato.
Minha reação foi mostrá-lo que daquela maneira o livro se estragaria e que era muito feio agir daquela forma, com total pouco caso ao presente que a mamãe trouxera. Disse que Pedro deveria pegar o livro para guardá-lo, o que rendeu uns dez minutos.
Depois de muito custo, e o livro ainda caído debaixo da estante, levei Pedro para o quarto para dormir e a vovó Bia herdou a missão de conversar com ele naquele momento para fazê-lo entender que tinha agido errado e colocá-lo para engrenar numa boa noite de sono.
Só que Pedro ficou agitado, chateado por toda aquela situação e custou a pegar no sono. Eu também chateada do meu lado cheguei à conclusão, orientada por minha mãe, que naquele momento nenhuma lição de moral, ensinamento, parábola educativa e, muito menos castigo, teria efeito. Simplesmente porque seria impossível para o pequeno assimilar qualquer coisa num momento de tanto cansaço.
Ponto para a Vovó Bia, que, com a experiência que teve com três crianças, conseguiu me alertar de que nem sempre conseguimos resultado positivo imediato para rebeldias repetitivas das crianças. Se Pedro foi agressivo de manhã, provavelmente não estava com vontade de ir para a escola naquele momento, mas ficar em casa, ver televisão, passear ou fazer as coisas com mais calma. À noite, no auge do seu cansaço, por mais que tivesse amado o livrinho novo, o não saber expressar a exaustão e o não render-se ao sono que lhe é característica gritante, fez com que novamente tivesse atitude imatura e agressiva próprias da sua idade.
Como não ser permissiva com tais atitudes e mostrar que está errado sem deixar de lado certa dose de flexibilidade fundamentais para manter um bom relacionamento mãe e filho? Como endurecer, "pero sin perder la ternura jamás"?
Ainda segundo a vovó Bia, o melhor momento para mostrar para a criança as consequências de ter agido errado é depois que a situação se acalmou. Pedro bateu ou jogou o livro no chão, diga que está fazendo coisa muito feia e se afaste. Mostre que não gostou, mas sem dar castigo imediatamente ou sem tentar fazê-lo consertar sua atitude na mesma hora. Um tempo depois, quando ele estiver mais calmo, solicitar atenção, pedir alguma coisa na rua ou quiser brincar, diga a ele que bater é coisa muito errada e que deixou a mamãe chateada. E nunca deixe de indagá-lo o porquê de ter agido de tal forma. Assim sua cabecinha começará a assimilar que bater não resolve e que nada é motivo para tal atitude. Assim como malcriação, gritos, desrespeito e desobediência.
Às vezes um castigo se fará necessário, como guardar o livro no alto da estante até que Pedro mereça tê-lo novamente, mas sem que todos os atos de rebeldia tenham um castigo imediato eterno ou longamente duradouro. Porque nenhuma criança, assim como nenhum adulto, deve ser massacrada pelo que fez há duas semanas atrás sem que seja elogiada, estimulada e parabenizada por ter agido de maneira correta em tantas outras situações. Ou seja, não é porque Pedro agiu errado hoje, que amanhã não poderá agir corretamente e, mais, agindo certo amanhã, depois de amanhã e no dia seguinte o errado de hoje deve ser para sempre esquecido e não trazido à tona depois de tantos acertos. Se Pedro fez bonito ontem e hoje, não deve ser lembrado de que na semana passada foi muito feio com determinada atitude, o que não seria nada saudável. Dessa maneira nunca agi, graças a Deus. E não vou agir porque aprendi antes de errar. Espero que Pedro aprenda muito mais sem precisar errar do que errando. E, quando errar, mamãe, papai, vovós, tios e todos que o amam estarão ao lado para mostrar o caminho certo.
Eis as conclusões a que chego no fim de um dia de muito, muito trabalho...
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